Desenvolvimento das facções criminosas

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As rebeliões carcerárias no início de 2017, que chocaram principalmente com a violência exacerbada, aumentaram o interesse da mídia em relação ao PCC e outros grupos criminosos. O que gera o Desenvolvimento das facções criminosas.

Mas o fenômeno não é muito novo – esse desenvolvimento do grupo em diversos estados ao redor do país o torna cada vez mais difícil de evitar.

Nos últimos quatro anos, 18 mil criminosos ingressaram no PCC, o PCC por completo já tem mais de 29 mil membros em todo o Brasil, como diz o jornalista Bruno Paes Manso e a socióloga Camila Nunes Dias. Os dois usaram seus 20 anos pesquisando o grupo para escrever livros para passar informações pra frente sobre o PCC.

Como começa o desenvolvimento das facções criminosas?

Essa é uma pergunta interessante, e nós iremos explicar tudo aqui nesse artigo. Então continue lendo até o final para enteder o desenvolvimento das facções criminosas.

Fortalecimento das lideranças carcerárias

É aqui que, muitas vezes, começa o desenvolvimento das facções criminosas.O sistema prisional brasileiro acabou ficando mais congestionado com o aumento das prisões desde 2002, durante os governos Lula e Dilma, viu sua função primária de redução do crime pervertida gradativamente.

Segundo Manso e Camila, “a partir de certo ponto, ao invés de diminuir a criminalidade, o aumento do número de presidiários levou ao fortalecimento das lideranças penitenciárias”.

Outro fator para o desenvolvimento desse grupo é o uso do celular, presente em quase todas as penitenciárias do país. Com eles, os líderes continuam administrando grupos, mesmo depois de serem presos. “Nesse movimento, as prisões tornaram-se um espaço de articulação dos profissionais do narcotráfico, em uma rede nunca tão interconectada”, afirmam os pesquisadores.

 O contato entre os dois escritores foi iniciado quando quando Manso estava tentando preparar um série de entrevistas com pesquisadores que estudavam o PCC e isso  continuou por um tempo, e a ideia do livro surgiu após eles colaborarem em reportagem para a revista Piauí que foi publicada em fevereiro de 2017.

“Trabalhar a quatro mãos foi uma experiência fantástica, porque o assunto é delicado e, para colocar as coisas no papel, precisávamos concordar, o que nos obrigava a ter um certo cuidado de que poderíamos não ter se estivéssemos escrevendo sozinhos ”, conta Manso.

Origem do PCC

Esse é um ótimo exemplo de desenvolvimento das facções criminosas. O Primeiro Comando da Capital ganhou notoriedade no século 21, mas suas origens ainda são remotas. O PCC nasceu em 31 de agosto de 1993, nos arredores do anexo da Casa de Custódia perto de Taubaté”.

E, na época, surgia como um grupo de apoio ao crime organizado – a participação do PCC mais a fundo com o narcotráfico só começou na década de 2000, quando buscava um financiamento mais lucrativo.

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Foto reprodução: Jornal da Record | desenvolvimento das facções criminosas

A partir do momento em que foi formado, o Comando Vermelho era o líder do tráfico de drogas no país a partir das serras do Rio de Janeiro, eliminando intermediários e comprando drogas direto dos fornecedores para o crescimento de seus lucros. O PCC não atuava naquele mercado, os dois grupos ficaram muito próximos por alguns anos.

A violência nas prisões do país se tornou algo difícil de ser controlado quando o pacto do PCC com o Comando Vermelho sobre a  não agressão foi rompido. Anunciada por meio de “bálsamo” enviado por mensagem coletiva do WhatsApp, a ruptura criou uma situação insustentável entre integrantes de gangues rivais em várias penitenciárias por todo o país.

Como funciona o PCC

A grande diferença entre o PCC e outros grupos é o seu discurso – para eles, os crimes são feitos em nome daqueles que são “oprimidos pelo sistema”, e não como forma de enriquecimento de seus líderes. “ PCC se organizaria em torno de uma ideologia: os ganhos da organização ajudariam o criminoso como um todo.

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Foto reprodução: Canal Ciências Criminais | desenvolvimento das facções criminosas

Segundo essa nova filosofia, ao invés de se autodestruir, o criminoso deve encontrar meios de se organizar para conseguir viver ao sistema e aumentar os lucros ”, afirmam os dois escritores. Com base nessas premissas, o grupo tem uma forma diferenciada de funcionamento:

PCC no Paraná

Para etender o desenvolvimento das facções criminosas, vamos ver como começou aqui. Por sua localização e suas fronteiras, o Paraná é um estado-chave para a entrada de drogas no país – o que intensifica a atuação do PCC no estado. “A última estimativa do Ministério Público de São Paulo é que havia cerca de 3 mil membros do PCC no Paraná.

O estado sempre foi estratégico para o PCC, pois faz fronteira com o Paraguai e historicamente manteve em suas prisões vários líderes importantes da facção ”, conta Manso.

Foto reprodução: Folha – UOL | desenvolvimento das facções criminosas

Segundo os autores, o PCC começou a se espalhar no Paraná a partir de 1998 – quando o estado de São Paulo passou a transferir lideranças de grupos para presídios de outros estados como forma de lidar com rebeliões. Nesse contexto, alguns líderes do PCC foram transferidos para a Penitenciária Central do Estado, em Piraquara.

Os escritores acreditam que toda a influência do PCC com a população penitenciária do estado tornou-se mais clara em junho de 2001, nesse mês uma rebelião foi organizada no PCE.

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Foto reprodução: Stoodi | desenvolvimento das facções criminosas

Manso e Camila defendem que, ao invés de ajudar a reduzir a criminalidade, essas transferências dentro do sistema penitenciário são outro fator para o crescimento do grupo no Brasil. Essas transferências foram o principal fator responsável pelo crescimento do PCC, tanto no Paraná quanto no Mato Grosso do Sul – dois estados-chave para o tráfico de drogas por suas fronteiras internacionais.

Formação em rede – o PCC tem uma organização horizontal, baseada na formação em rede, o que faz com que a existência do grupo seja independente de um líder específico.

As “sintonias”, células em rede, atuam em prisões e bairros pobres e estão interligadas, formando coletivos decisórios nos níveis regional, estadual, nacional e internacional. “Cada unidade penitenciária e cada lugar controlado pelo PCC tem um representante da facção que faz negócios e serve de referência na resolução de conflitos”, afirmam os autores.

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Foto reprodução: El Pais | desenvolvimento das facções criminosas

Novos afiliados podem ser atraídos para dentro e para fora das prisões – portanto, o grupo é capaz de realizar suas ações de várias maneiras. Os afiliados pagam “cebolas”, a taxa mensal de afiliação. 

O dinheiro arrecadado é usado para financiar as atividades do grupo.

Além das mensalidades, o grupo arrecada dinheiro por meio de sorteios e venda de remédios.

Além de participarem de ações coletivas, os integrantes podem continuar exercendo suas atividades paralelas – tendo o apoio com ajuda (como financiamento ou empréstimo de armas) do grupo para executá-las.

As decisões e as informações são disseminadas por meio dos “salves”, enviados principalmente pelos grupos do WhatsApp.

Esse problema possuí uma  solução?

A alguns anos atrás, as soluções que foram descobertas para o grande problema causado pelo PCC e o aumento da violência estão baseadas no fortalecimento das polícias, especialmente a polícia militar, e foi pensando também em investir em mais penitenciárias.

Manso e Camila explicam que os “bandidos” eram frequentemente usados ​​como bodes expiatórios nos discursos políticos para justificar o uso da violência como forma de tentar proteger a população urbana do crime. Essa construção é baseada em alguns estigmas – “endereço (bairro, favelas, morros), onde se criou, sua classe (pobre), cor da pele (negra), sexo (masculino) e o ano em que nasceu (menos de 25 anos)”, listam.

A partir do momento em que pessoas que tem todas essas características são enquadradas na imagem de um inimigo público, elas se tornam menos capazes de encontrar outras oportunidades no seu ciclo social – e precisam buscar outros meios para viver. “O PCC é considerado um dos efeitos colaterais do sistema”, afirmam os autores. Com isso, você entende um pouco mais sobre o desenvolvimento das facções criminosas.

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